Casas de apoio se tornam lar para doentes

23jun13

Locais recebem pacientes de outros estados que estão em tratamento de saúde na capital paulista

Carol Rocha
carol.rocha@diariosp.com.br

Fábio Alexandre Soler nasceu em outubro de 2006 com uma doença na válvula de uretra posterior, que o impedia de fazer xixi. O problema resultou, ainda, em um refluxo, mas o diagnóstico não foi feito corretamente em sua cidade natal, Rio Branco, no Acre. Com o uso excessivo de antibióticos, Fábio teve uma perda auditiva.

Em abril de 2007, ele veio para São Paulo com a mãe, a professora Cláudia Fernandes Liberato Soler, de 39 anos, buscar o tratamento correto, já que São Paulo concentra boa parte dos hospitais de referência para doenças crônicas. Por isso, a cidade recebe pacientes do país inteiro. Quem não tem onde ficar pode contar com as casas de apoio, que recebem o doente e um acompanhante da família, de graça. O contato com as casas é feito pelas secretarias de Saúde ou pelos hospitais.

Até 2012, Fábio e a mãe se revezaram na casa de amigos e parentes. Nesse meio tempo, em 2008, o garoto foi diagnosticado com câncer no fígado e precisou passar por quimioterapia e um transplante de rim no ano passado. “No hospital, a prima do meu marido disse que não daria mais para ficarmos na casa dela. Aí a assistente social me falou sobre as casas de apoio”, conta Cláudia.

Ela e Fábio chegaram à Casa Hope em novembro de 2012. “A Casa Hope me deu um apoio maravilhoso. Eu não tinha onde ficar, como pagar e eu não poderia voltar para o Acre antes de terminar o tratamento dele.”

A casa, que tem capacidade para atender 192 pessoas (somando os doentes e acompanhantes), acolhe crianças de 0 a 18 anos com câncer e transplantadas de fígado e rim e transplantados de medula de qualquer idade.

Em São Paulo, segundo estimativas não oficiais, há cerca de 20 casas de apoio. Não há legislação específica para esse trabalho. As secretarias municipal e estadual de Saúde não têm programa semelhante.

 Enfermeira aluga imóvel e acolhe todo tipo de paciente

A enfermeira Elizete Aparecida Barbosa, de 55 anos, sempre trabalhou na pediatria de hospitais e acompanhou de perto as histórias das mães que vinham fazer tratamento em São Paulo. “Elas tinham o melhor tratamento, mas não tinham como voltar para casa e precisavam passar o tempo todo no hospital”, conta.

Depois de conversar com a irmã, que é assistente social, as duas criaram o Grathi (Grupo de Assistência ao Tratamento e Hospedagem Infantil), em 2001.

“Tiramos a documentação, procuramos um imóvel, eu aluguei no meu nome, fizemos contato com todas as secretarias de Saúde do país avisando que éramos uma casa de apoio”, lembra-se Elizete. “Já atendemos mais de quatro mil crianças”, afirma.

Segundo Elizete, na época, as casas de apoio atendiam apenas crianças com câncer. O Grathi tem capacidade para acolher 15 doentes, com acompanhante, portadores de qualquer doença, exceto as infectocontagiosas, como é o caso de Manoelly, de 1 ano e 7 meses. A menina nasceu com os dois sexos e veio de Sena Madureira, no interior do Acre, com a mãe, Fátima da Silva Dias, de 39, passar por cirurgia no Hospital São Paulo.

Depoimento
Cláudia Bonfiglioli,
presidente da Casa Hope, fundada por ela em 1996

‘O câncer é uma doença da família’

Eu trabalhei dez anos no Hospital do Câncer, quando ele ainda era um hospital beneficente. E comecei a perceber esse problema das crianças que vinham de outros estados e não tinham onde ficar. E eu pensei em um jeito de essas crianças ficarem em um lugar que não fosse um hospital, mas que fosse uma casa que as acolhessem junto com um familiar, de tal forma que elas pudessem aprender outras coisas, tivessem uma escola, cursos de capacitação para as mães e um amparo psicológico. Na camada pobre da população, o que impacta não é só a doença. A própria condição social já é impactante. O câncer cai como uma bomba. E o câncer é uma doença da família. E como é uma doença crônica, os retornos para São Paulo passam a ser frequentes. Com o tempo, percebemos que um grande impedimento para as pessoas voltarem para São Paulo para dar continuidade ao tratamento era a passagem. Hoje, temos uma parceria com a TAM, que faz o transporte dos nossos pacientes.

COMO AJUDAR

Grathi
A casa fica na Rua Alberto Leal, 110, no Jabaquara, Zona Sul. Outras informações no site http://www.grathi.org.br ou pelo telefone (11) 2639-2580.

Casa Hope
Fica na Al. dos Guainumbis, 1.027, Planalto Paulista, Zona Sul. Bazar permanente: Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 918, Vila Mariana, também Zona Sul. Site: http://hope.org.br.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NA EDIÇÃO DE 23/6/2013 DO DIÁRIO DE S.PAULO

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